08/05/12

rascunho

Estava sentada a olhar o verniz do vinho tinto na taça, a música suave de Ane Brun tocando ao funo, de tempo em tempo, me pegava olhando para o celular, na esperança de receber uma mensagem dela, ou ligação. Quem sabe?
Pensava nas últimas semanas que havia estado com ela, nas confissões, nos delitos.. 
nos sentimentos que trocamos. Experiências. 
O que será que iria acontecer a nós? Será que ela havia se arrependido de ter jogado tudo para o alto e se aventurado no que sentíamos? Porque esse sumiço dela repentino?
Tantas perguntas e só mais taça de vinho. 
Saindo para comprar mais vinho. 

Pa Chiodo

01/05/12

Gosto de brincar entre meus extremos. Às vezes poeta das palavras subjetivas, quentes e envolventes. Por outras vezes, crítica e colunista, das frases de efeito. Tem a ilustradora, desenhista... dos traços ainda inseguros, cautelosos, das cores sóbrias. 
Em todas, existem as entrelinhas, os dizeres que são registrados sem querer, marcas que vincam o papel em forma de palavra pintada, ou de risco escrito.
A minha alma perambula entre sonhos, vontades e o real, um paralelo onde posso ser quem eu quiser, sem dar satisfação, sem me importar com o que minha "arte" vai causar.
Arrepios, desgosto, desejos, repúdios. O que me importa é despertar qualquer sentimento, seja bom ou asqueroso.
E é assim que vivo, vou sentindo as situações, vou me adequando a cada arte que me é apresentada... vou me transformando, deixando de ser comum para ser algo maior.
Me aventurando no desconhecido, no inabitado.
Eu quero sempre o lado de lá do improvável e impossível.
Sou viajante de livros
de poemas e poesias
de frases soltas pichadas em muros 
de arte atemporal que causam as mais variadas sensações. 
Sou amadora do cinema
das expressões corporais, das palavras bem colocadas 
e sutilmente retiradas. 
das viagens por histórias que acontecem bem longe do corpo mas tão perto da alma. 
Sou colecionadora de sentimentos 
vivenciando o momento sem pensar no depois sem almejar magnitude não compreendida para o futuro incerto.
Sou uma safra de poesia barata, palavras fortes e frases de efeito.
Sou safra de amores partidos, doloridos, não correspondidos. assim a poesia fica mais bela, qndo se fala de amor platonico
de viagem intercorpórea
de amantes e amadores.

Sou mulher, garota.
Sou poeta e artista não reconhecida.
dominadora de palavras, gramática... de sentimentos não vividos. 
- garçom me vê uma dose de amor ardente e uma taça de vinho barato, hoje quero me embebedar... 

Pa Chiodo 
- Bom dia meu amor! Bom dia acordar ao seu lado nessa linda sexta feira 13! 
Risadas foram escutadas.
- Bocó! 
- Oli, bom dia.. amanhã é sabado 14... que coisa neh?!

Pa Chiodo 
Queria ter a coragem de decompor as sensações que vivo para você, de dizer sem entrelinhas, sem a necessidades de textos, contos, poesias e personagens sobre o que causa, causou e cria em mim. 
Mas não tenho... preciso me esconder em palavras baratas, frases clichês, e uma construção pobre de um conto qualquer... fingir que sou redatora, poeta para quem sabe você fingir que não é contigo. 
Me declaro: medrosa! Quem sabe meu medo me impeça de viver algo mais intenso, mais completo, com menos títulos e obrigações. 
Por enquanto, essa sou eu... ainda garota, ainda medrosa, com medo de chorar por algo que ainda não finalizou. 

Pa Chiodo 
Confesso como garota arteira, meu crime e meu medo. 
Confesso que gosto de tentar lhe seduzir, encantar... Despertar desejos. Confesso que gosto como sorri para mim, como me olha provocativamente, me abraça e me toca. 
Confesso que muitas das vezes escrevo pensando em nós, em ti, no que podemos fazer, no que ainda temos para sentir... gosto de brincar com a sua imaginação, aguçar sentidos, despertar libido.
Confesso como garota malandra minhas intenções que não tem obrigações de acontecer, que nunca foram propositais ou planejadas.
Confesso que tenho medo de perder o tom de toda essa brincadeira, de fugir do controle, de perder ao ganhar você. Ou pior, de me perder ao achar que posso ganhar você.
Confesso que ainda sou garota, medrosa, às vezes madura outras imatura... Confesso que a garota arteira ganha do medo, talvez esteja dispostas a correr o risco de perder...
Confesso que peço que meu encanto te encante.

Pa Chiodo 
Quero que alguém me tire do tédio, me pire a mente... me conduza em uma dança a duas. Um dança que não acaba na última nota. 
quero que alguém me tire da rotina, me fira sentimentos, que me conduza em um mar de sentimentos. Mar turvo, calmo.. de qualquer jeito. só me conduza. 
Quero que alguém me tire do chão, que poetize comigo, que me conduza em um texto sem fim... que escreva comigo sobre cores e amores. Que plante um pé de amora no jardim. 
Quero alguém que me tire da realidade, que me leve a um passeio do lado de lá dos sonhos, das vontades... que ande ao meu lado entre contos e arte. 
Que colha amoras vermelhas e doces comigo na manhã de domingo. 

Pa Chiodo
Despertar de sentimentos. 

- Pa Chiodo
Eu pinto nuvens de algodão, 
poesia de papel de pão. 

Eu escrevo sobre o mar, 
desenho de giz no olhar. 

Eu atrevo plantar amores, 
desejos plenos de cores. 

Pa Chiodo